
Conheça as melhores estratégias para fortalecer a resiliência dos colaboradores em cenários de mudança
11 de junho de 2026Evento do projeto Empresas Saudáveis reuniu especialistas, executivos e profissionais para discutir os impactos da Norma Regulamentadora nº 1 na saúde mental e na construção de ambientes corporativos mais seguros
Em um cenário marcado por mudanças regulatórias e crescente atenção às condições psicossociais no ambiente de trabalho, a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) e o Sesc Santo Amaro promoveram, em 10 de junho de 2026, a Jornada do Conhecimento: NR-1 – do diagnóstico à ação. O encontro integrou o projeto Empresas Saudáveis e reuniu especialistas, executivos e profissionais convidados para debater os impactos da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) na gestão de riscos psicossociais, na saúde mental e na construção de ambientes corporativos mais seguros e sustentáveis.
ABQV destaca papel pioneiro em bem-estar corporativo
Na abertura do evento, o presidente da ABQV, José Antônio Coelho Júnior, apresentou a trajetória da entidade, seus propósitos e números, reforçando o papel pioneiro da associação na promoção do bem-estar e da qualidade de vida no ambiente corporativo.
Em seguida, Rodrigo Vaz, auditor fiscal do Ministério do Trabalho em São Paulo, apresentou um panorama histórico da NR-1, sua integração com outras normas regulamentadoras e as atualizações que passaram a contemplar o gerenciamento dos riscos psicossociais.
Segundo Vaz, o ciclo previsto pela norma envolve desde a identificação dos riscos até a implementação de ações de prevenção e tratamento. Ele também detalhou como ocorrerão os procedimentos de fiscalização relacionados ao tema.
“O procedimento fiscal da auditoria voltada para a NR-1, ainda mais no tema do psicossocial, vai cuidar da parte de campo. Então, a gente vai entrevistar os trabalhadores, verificar se a empresa se comunicou com eles, se eles foram ouvidos e verificar a parte da liderança e da gestão da empresa.”
O auditor destacou ainda que a consulta aos trabalhadores é uma exigência da norma e que a ausência desse processo pode caracterizar irregularidade passível de autuação.
Líderes humanizados reduzem presenteísmo e turnover
A médica do trabalho e diretora da ABQV, Adriana Jardim Arias, abordou o papel estratégico da liderança na gestão dos riscos psicossociais. Segundo ela, líderes humanizados contribuem para a redução do presenteísmo e do turnover, impactando positivamente a saúde financeira das organizações.
A especialista ressaltou que o líder pode exercer tanto um papel protetivo quanto adoecedor, dependendo de sua postura diante da equipe e da forma como conduz o trabalho.
“O primeiro passo é ter uma escuta ativa. Ouvir o seu trabalhador, não sair pré-julgando. Colocar na prática a segurança psicológica que as empresas têm que ter. O líder precisa criar esse ambiente seguro para que sua equipe consiga trazer os problemas. Caso contrário, instala-se a ‘república do medo’, em que os problemas passam a ser escondidos.”
Adriana também enfatizou que os gestores precisam cuidar da própria saúde física e emocional para liderar equipes de forma eficaz diante dos desafios corporativos.
Especialista alerta para soluções superficiais
O médico do trabalho Fernando Akio Mariya apresentou casos práticos que demonstram a importância de uma gestão estruturada dos riscos psicossociais e destacou diferentes metodologias para avaliação desses fatores.
Um dos principais alertas de sua palestra foi sobre iniciativas superficiais que não atacam as causas dos problemas organizacionais.
“Práticas descritas como ‘ofurô corporativo’ não são eficazes para transformar a organização do trabalho e promover ações que verdadeiramente previnam os riscos psicossociais.”
Movimento Gerar Bem-Estar apresenta metodologia de prevenção
A diretora da ABQV, Ana Carolina Peuker, e o diretor médico da AON, José Carlos Arrojo Jr., apresentaram o Movimento Gerar Bem-Estar (MGBE), destacando sua metodologia e os resultados obtidos por empresas que vêm fortalecendo suas estratégias de promoção da saúde, bem-estar corporativo e adequação às exigências da NR-1.
Durante sua apresentação, Ana Carolina também abordou o aumento da carga cognitiva no ambiente de trabalho e os impactos da transformação digital, das crises globais e das mudanças sociais sobre a saúde mental dos trabalhadores.
“No passado, olhava-se muito para a questão fabril e para a capacidade física de produção. Hoje, a transformação digital, os fatores geopolíticos, as questões climáticas e outras crises emergentes afetam diretamente nossa condição emocional e cognitiva. Isso exige que as empresas passem a integrar e considerar essas questões em suas análises de risco.”
A especialista reforçou ainda a importância da corresponsabilidade entre empresas e colaboradores na preservação da saúde mental.
“As pessoas não adoecem mais apenas por causa da mesa e da cadeira. Podem adoecer pela sobrecarga cognitiva. Mas também é importante destacar que o trabalhador tem um papel ativo na preservação da sua capacidade cognitiva, por meio do lazer, dos hobbies e de hábitos saudáveis.”
Saúde mental como estratégia de negócios
Leonardo Rigoleto Soares, gestor corporativo de Saúde da Siemens, apresentou um case da companhia que demonstra como a gestão dos riscos psicossociais e o cuidado com a saúde mental passaram a ser tratados como temas estratégicos para os resultados do negócio.
A iniciativa da ABQV e do Sesc Santo Amaro reforça uma pauta cada vez mais relevante para as organizações: a saúde mental como elemento essencial para a sustentabilidade dos negócios, a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Em um contexto de transformação regulatória e crescente atenção aos riscos psicossociais, a Jornada do Conhecimento busca contribuir para a disseminação de boas práticas e reflexões que apoiem empresas e profissionais na adaptação a essa nova realidade.





