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Webinar - Ponto de atenção na transição da quarentena para o novo normal. O olhar do RH e da qualidade de vida

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A importância do RH em um mundo pós-pandemia

Com as mudanças no cenário corporativo, como o setor de recursos humanos deve encarar e atuar no novo normal

O ano de 2020 ficará marcado para a história mundial. A pandemia do novo coronavírus, decretada em março pela Organização Mundial da Saúde (OMS), alterou hábitos e comportamentos. O novo normal envolve o uso de máscara, constante higienização, isolamento e distanciamento social e novos hábitos no cotidiano das pessoas e das organizações.

Para evitar a proliferação do contágio da Covid-19, os espaços familiares e sociais mudaram e as empresas também passaram por um extenso processo para se adaptar à realidade, que vai muito além do distanciamento e demais medidas de segurança.

O departamento de Recursos Humanos começou a conviver com desafios que envolvem a adaptabilidade das pessoas, a comunicação interna, a insegurança dos profissionais sobre o futuro e muito mais. “O RH em tempos de crise precisou se reinventar, apostar em novas estruturas e modelos a fim de garantir o mínimo de estabilidade dentro de tantas inseguranças. O cenário criou tendências e o ‘novo normal’ é uma aposta também para o pós-pandemia”, apontou o Silvino Teofilo, gerente de Desenvolvimento Humano do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, durante o webinar “Ponto de atenção na transição da quarentena para o novo normal. O olhar do RH e da qualidade de vida”, promovido, em 8 de julho, pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Ele explicou que essa situação trouxe grandes desafios para a gestão de pessoas nas empresas. Os impactos do coronavírus no RH foram enormes, já que o setor se viu obrigado a aplicar novas tecnologias, novos formatos de trabalho de forma repentina, sem tempo para fazer uma transição gradual e planejada. Houve ainda companhias que tiveram que lidar com a dispensa de funcionários e o corte de gastos, tudo para se adequar a uma nova realidade.

Esse novo cenário também chegou ao processo de recrutamento e seleção de novos colaboradores. Teofilo contou que estão à disposição aplicativos de videoconferências, por exemplo, que podem ser usados para a realização de entrevistas virtuais, sem a necessidade de contato pessoal entre os candidatos e recrutadores. 

Algumas plataformas possibilitam a aplicação de testes e demais etapas a distância, permitiindo um recrutamento 100% on-line. Até mesmo o envio de documentos pessoais para a admissão pode ser feito virtualmente, facilitando o processo e eliminando burocracias. 

Nova realidade

Com o início da retomada da atividade econômica, as organizações e instituições terão de se adaptar ao novo contexto que o país está inserido, que exige mais segurança e higiene para evitar a contaminação e proliferação do vírus, bem como os impactos trazidos pela pandemia ao mercado de trabalho, ao aspecto social e emocional das pessoas. ´

Para Teofilo, será preciso aprender a lidar com a realidade do país que terá a concentração de renda ainda mais acentuada; redução dos postos de trabalho e a transformação nos modelos de contratações; as diferenças nos níveis escolares e de acesso à tecnologia ainda mais evidentes. Será que todos estão preparados para todas as transformações educacionais, de treinamentos e inovações?

“Os colaboradores retornarão transformados, uns mais do que outros. Medo, ansiedade, alegrias, um grande mix de sentimentos comumente evidenciados em momentos de crise. Tudo isso mexe com o estado emocional do profissionais e, consequentemente, em sua produtividade. O capital humano é a essência para o sucesso de toda empresa”, explicou o gerente do Hospital Oswaldo Cruz. 

Conhecer os colaboradores e suas tendências comportamentais, segundo Teofilo, são importantes e ajuda a gestão compreender o modo de agir e pensar dos funcionários neste momento nunca vivenciado. Para tanto, ele sugere mapear as reais necessidades dos profissionais e propor soluções adequadas às exceções; definir o apoio a ser oferecido: ajuda médica, psicológica, ações de qualidade de vida; ofertar suporte também ao grupo de risco, à esposa gestante, pais idosos e filhos pequenos, são algumas sugestões. “A gestão de pessoas que conseguir ter mais percepção sobre os colaboradores, pautada em dados, destaca-se em uma realidade de crise e traz mudanças profundas para o futuro das empresas”, ressaltou.

Programar o retorno às atividades nas organizações para que ele seja menos traumático é possível na visão do executivo. Para ele, organizar a volta ao local de trabalho pelos colaboradores de forma gradativa e com muita consciência; criar um rodízio nos dias da semana com a equipe, não precisa estar todos os dias in loco; flexibilizar o horário de entrada e saída; conscientizar sobre o distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel; e estabelecer uma política de trabalho remoto no período pós-pandemia são iniciativas positivas que demonstrarão um olhar de equidade da empresa, via RH, para com seu funcionário. “Assumir o protagonismo em um momento de isolamento social é fundamental, e ao se tornar referência para lidar com situações tão delicadas, o RH mostra uma nova realidade, que passa por conseguir engajar os colaboradores, oferecendo um cenário estável, saudável e próximo”, destacou Teofilo.

Aqui ele ressalta a relevância da atuação do líder na comunicação clara e efetiva sobre os riscos da Covid-19, os cuidados necessários para evitar a contaminação e como levantar o ânimo dos colaboradores é importante no momento atual e no contexto da pós-pandemia. “Essa mensagem de confiança deve vir dos líderes, para transmitir a visão da empresa para os novos tempos”, afirmou.

Novamente nesse processo, o setor de Recursos Humanos tem um papel fundamental para auxiliar a empresa a se adaptar ao novo normal. Silvino Teofilo reitera que cabe ao RH o desafio de articular e estreitar a interação de todos os setores no pós-crise. “Cabe a gestão de pessoas pensar no retorno como um recomeço. Alguns colaboradores regressarão com mais dores e perdas, outros mais maduros e seguros. É fundamental que o RH tenha embasamento para conseguir agir e ser realmente relevante.”

Danos à saúde mental

Em meio à pandemia, muito se fala em medidas para prevenir a Covid-19, mas também não se pode deixar de lado a saúde mental dos colaboradores, alertou a médica psiquiatra Marilia Montoya Boscolo, durante o webinar da ABQV, sob a coordenação do diretor de Educação e Conhecimento da entidade, Eduardo Bahia Santiago.

Ela explicou que a situação de crise sanitária mais grave dos últimos cem anos gera um ambiente de constante preocupação, instabilidade e ansiedade. Muitos colaboradores tiveram que ficar isolados dos amigos e familiares durante a quarentena, o que causa uma sensação de solidão angustiante. “Por isso, é interessante contar com o apoio de profissionais especializados para cuidar do estado mental da equipe, além de fornecer conteúdos com dicas para manter a mente sã durante esse período, ocupando a cabeça com exercícios físicos, livros, filmes e outras atividades, além de preparar os colaboradores para essa retomada.”

E como identificar e saber quem precisa vai precisar dessa ajuda? Para a médica, é papel do RH fazer esta ponte. “Os profissionais de Recursos Humanos passarão a desempenhar um papel essencial para que as empresas tenham uma visão mais ampla, mais holística, sobre a saúde e a segurança dos seus colaboradores, dentro e fora do ambiente de trabalho. Além da saúde física, que inclui alimentação correta e exercícios, também é fundamental o equilíbrio psicológico, a mente arejada, a vontade de aprender e o pensamento positivo, confiante, focado na construção de um futuro melhor”, destacou. 

Marilia comentou que esse cenário de insegurança e incerteza provocado pela pandemia traz impactos imediatos para a gestão de pessoas e muitos desafios, pois a experiência de confinamento e os temores de novos surtos da Covid-19 provocarão mudanças nas atitudes das pessoas e no próprio funcionamento das organizações. “É fundamental fazer uma leitura apurada dos colaboradores e tentar entender a situação do outro, lembrado que os ‘normais’ serão diferentes para cada empresa.”

A médica orientou que qualquer mudança de comportamento do colaborador é um sinal de alerta, como, por exemplo, insônia, cansaço, irritabilidade, picos de ansiedade dificuldade em estar entre os colegas. É preciso ter alguém dentro das empresas atento a essas alterações. “Agora, o momento é de escutar e estar próximo do colaborador para poder ouvi-lo, saber de suas perdas e dores e fazer ele chegar ao psiquiatra. Estar disponível para a escuta fará a diferença neste novo cenário dentro das empresas, que cada vez mais devem entender a importância do capital humano para o sucesso do seu negócio”, finalizou Marilia.

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