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19º CBQV - Cultura organizacional é fundamental para a qualidade de vida dos colaboradores

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Saúde e bem-estar devem estar atrelados à visão de valores da empresa com seus funcionários

Na última década, muitas empresas se viram diante da necessidade de pensar em estratégias que melhorem a qualidade de vida de seus colaboradores.

E nem sempre essa é uma tarefa fácil. Afinal, cada trabalhador tem necessidades particulares e responde melhor a diferentes estímulos, o que torna a promoção da qualidade de vida um desafio para empresas pouco estruturadas.

Muitos funcionários se veem desmotivados e estressados diante das demandas profissionais, o que pode acontecer com qualquer um. O problema acontece quando uma série de situações tornam o trabalho menos atrativo para os colaboradores.

“A qualidade de vida de uma pessoa está relacionada não apenas com seu trabalho, mas com todo um conjunto de fatores que colabora com seu bem-estar físico e mental. O contexto em que as pessoas estão inseridas também tem um impacto direto nesse bem-estar”, explicou o psicólogo e pesquisador Judd Allen, presidente do Human Resources Institute, de Vermont, nos Estados Unidos, em sua conferência magna “What is a cultural support? Why is it important? How do we achieve it?” (O que é um suporte cultural? Por que isso é importante? Como podemos alcançá-lo?), na abertura do 19º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), de 17 a 20 de maio, que debateu inovações em saúde e bem-estar em um mundo VUCA.

Allen disse que a empresa deve avaliar o quanto o contexto, as questões pessoais e profissionais e as motivações dos colaboradores podem estar afetando a qualidade de vida de forma negativa. E, claro, o que pode ser feito para contornar tais problemas.

Afinal, como as organizações podem promover a qualidade de vida? Por que ter um olhar para a saúde e o bem-estar de seus profissionais é tão importante?

O presidente do Human Resources Institute disse que saber onde está a qualidade de vida na lista de valores das empresas pode ser o primeiro passo para a organização instituir uma cultura organizacional de saúde e bem-estar. Valores esses que precisam estar relacionados com fatores sociais, como normas, apoio mútuo, capacitação de líderes, saúde mental e gentileza, essenciais para o senso de comunidade e visão compartilhada do valor de uma empresa com seus funcionários.

“Cultura vem de cultivar e cultivar qualidade de vide é poder enraizar e florescer bons hábitos, criando ambientes sociais e comportamentais saudáveis. O conceito de cultura organizacional abrange todas as práticas, hábitos, princípios e valores dentro de uma empresa. A ideia é que todos os colaboradores entendam isso e partilhem dos mesmos valores, a fim de fixar uma coerência entre corporação e funcionários”, explicou Allen.

Ele salientou que a compreensão e absorção da cultura organizacional influencia o comportamento dos empregados e molda a imagem corporativa passada ao público, o que impacta, inclusive, na aceitação da marca, entre outros aspectos.

Além dos valores compartilhados, as outras dimensões da cultura na gestão das organizações que, segundo o psicólogo, devem ser assumidas pelas empresas são: suporte das lideranças, pontos de contato entre as políticas formais e informais, suporte entre os colegas, clima social e normas.  

“Esses pontos são elementos essenciais na formação da cultura de uma organização, seja ela do tamanho que for. Uma empresa é constituída de indivíduos com diferentes necessidades e preocupações. Uma abordagem holística para essas preocupações é de importância central para a promoção de uma cultura de apoio ao bem-estar do colaborador”, frisou Allen.

Apoio e boas práticas

Proporcionar qualidade de vida no trabalho é um dos grandes desafios do mercado corporativo. E muitas companhias têm buscado boas práticas como forma de conciliar as demandas do dia a dia com as necessidades individuais da saúde, do corpo e da mente de seus colaboradores, ainda mais com a pandemia de Covid-19. Afinal, o corpo possui limites e é preciso entender essa situação para que ele não sofra danos.

“Os programas de qualidade de vida criam ambientes de apoio que possibilitam as pessoas manterem uma vida mais saudável e produtiva. Isso é bom para o funcionário e para a organização”, garantiu presidente do Human Resources Institute.

E na visão de Allen, as lideranças, e não a alta diretoria, podem desempenhar papéis importantes na formação da cultura corporativa geral para essa prática.

“Elas podem trabalhar com outros gerentes organizacionais para estabelecer valores em toda a organização e metas de mudança de normas. Além disso, os profissionais de RH também podem ajudar a alinhar pontos de contato importantes com a qualidade de vida, como integração, recompensas, resistência, treinamento, comunicação, tradições, modelagem, desenvolvimento de relacionamento, narrativa, ambiente construído e políticas”, ressaltou o psicólogo.

Mas para que esses programas sejam bem-sucedidos eles dependem da capacidade das pessoas de manter um novo comportamento de bem-estar. Para Judd Allen, muitas dessas ações não criam condições para mudanças para o futuro.

“Na maioria das organizações, há uma tendência desnecessária de se concentrar exclusivamente na motivação e nas habilidades iniciais. No entanto, a maior da parte das pessoas já busca metas dignas e tem acesso a boas informações sobre essas metas. O foco deve se voltar para a criação de ambientes de apoio no trabalho, em casa e na comunidade. Essa abordagem baseada na cultura se afasta de um foco exclusivo no indivíduo como o local específico da mudança”, esclareceu Allen, que ainda frisou que os aspectos econômicos não estão no controle da qualidade de vida. Eles interferem quando as pessoas ficam doentes, mas também já se sabe que, quando as pessoas estão felizes e saudáveis elas são mais produtivas, pensam melhor, são mais criativas e trabalham melhor em equipe.

“Então, se pensarmos na cultura do bem-estar, do prazer como forma de nos aproximar, isso pode resultar na produtividade em uma grande escala. Por isso, criar uma cultura de qualidade de vida é fundamental. Precisamos é aprender como alcançar esta meta”, alertou o psicólogo.

E isso não acontece por acidente. O psicólogo explicou que é necessário muito questionamento e trabalho. E bastante habilidade de pessoas treinadas para elaborar essa solução.

“No Brasil, eu acho que existe um potencial das pessoas entenderem a importância da qualidade de vida porque a cultura está muito presente em várias manifestações. A cultura os rodeia e essas influências estão no trabalho, só é precisa ajustá-la para que melhor apoiem a qualidade de vida”, reforçou.

Allen ainda salientou que não se deve focar no que está de errado com seus colaboradores e com as ações e, sim, nas fortalezas dos estilos de vida, apontando o que se pode trazer para uma perspectiva positiva de qualidade de vida. Também não se deve separar os programas de bem-estar de outras ações da organização para que essas iniciativas reforcem a visão e o propósito da empresa.

“A cultura organizacional de qualidade de vida é fator essencial para o crescimento estruturado de uma empresa. Ela coloca em destaque comportamentos e valores de um grupo, trazendo benefícios às companhias e aos colaboradores, abrindo espaço para a troca de ideias e contribuindo para a saúde e bem-estar de todos”, finalizou.

 

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