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19º CBQV - Valor compartilhado é o caminho para a sustentabilidade e o bem-estar corporativo

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Resultados das organizações precisam estar de mãos dadas com os benefícios sociais e a saúde física e mental dos trabalhadores

O crescimento econômico sustentável continua sendo um caminho crítico para sair da privação de recursos e um motor central para uma sociedade atender as necessidades básicas de seus cidadãos – assim como na qualidade de vida e nas condições para as comunidades atingirem seu pleno potencial.

A profundidade do desequilíbrio socioambiental e a emergência de alternativas para o enfrentamento dessa realidade trazem à tona a discussão sobre a responsabilidade das empresas. Neste contexto, emerge um novo tipo de organização, que combina dois objetivos (antes vistos como incompatíveis): lucro e geração de impacto positivo.

Considerando-se ainda que grande parte das economias, dentre as quais a do Brasil, está diante de uma profunda crise, agravada pela pandemia de Covid19, o que pode se afirmar é que não há como esperar que os governos tenham capacidade de investir para impulsionar o progresso social das nações. Surge então a questão: qual é o papel dos negócios frente a tantos desafios?

Esse foi o mote da conferência “Uma abordagem global para gerar valor compartilhado para a sociedade e o ambiente corporativo”, ministrada por Wolf Kirsten, codiretor do Global Centre for Healthy Workplaces, nos Estados Unidos, e especialista em promoção da saúde global no local de trabalho, no segundo dia do 19º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), realizado entre os dias 17 e 20 de maio pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Em análise, Kirsten comentou que durante esses tempos desafiadores, muitos líderes empresariais estão concluindo que precisam se concentrar não somente no seu core business, mas, também, em seus clientes, produtos, serviços e, principalmente, em seus colaboradores.

“Os líderes empresariais precisam reconhecer que as empresas só podem prosperar em longo prazo em uma sociedade saudável e desenvolvida e, para tanto, têm de ajustar suas estratégias para colocar o propósito no centro de seus modelos de negócios. Ao fazer isso, poderão aumentar suas receitas, demonstrando que não é necessário haver uma opção entre lucros e colaborar com a resolução dos desafios”, explicou o especialista.

Dessa forma, torna-se imperativo o papel de organizações que compreendem que estão diante de uma mudança de paradigma, em que os negócios passam a se posicionar como parte das soluções dos desafios sociais e, dessa forma, se fortalecem.

Este modelo, segundo Kirsten, já ganhou tração em muitos países em que as organizações estão percebendo não mais ser possível permanecer indiferente aos constante prejuízos aos valores éticos universais, ao ambiente natural e à qualidade de vida de seus colaboradores e de suas respectivas famílias.

“Esta condição não é apenas desejável, trata-se de uma verdadeira condicionante de sobrevivência”, afirmou o codiretor do Global Centre for Healthy Workplaces.

Como operar negócios dinâmicos e lucrativos e, ao mesmo tempo, criar um mundo melhor?

A estratégia, de acordo com Kirsten, é a criação de valor compartilhado. O conceito, divulgado pelos pesquisadores da Universidade de Havard Michael Porter e Mark Kramer, em um artigo em 2011, defende que no lugar de interesses econômicos e financeiros de curto prazo, entra em cena a busca pelo lucro calcado em impactos sociais, culturais e ambientais positivos.

“O conceito de valor compartilhado defende que as questões sociais geram custos internos para a empresa, como o desperdício de energia ou matéria-prima, necessidade de treinamento para compensar insuficiências na educação, alto custo com benefícios de saúde etc. O enfrentamento desses problemas, ao invés de gerar mais custos à empresa faz com que ela cresça com a adesão de novas tecnologias, métodos, operações e abordagens de gestão, aumente sua produtividade e expanda seu mercado”, esclareceu o especialista.

Para ele, sociedade, instituições e empresas podem trabalhar juntas para a construção de um futuro que será favorável para todos e para a sustentabilidade das organizações e a promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores.

Mais do que uma nova tendência, trata-se de um novo propósito. Ainda mais no cenário atual, em que a pandemia do novo coronavírus criou tempestivamente uma nova forma de trabalho, exigindo das organizações e dos funcionários mudanças de hábitos para se adaptar às novas rotinas laborais.

“A Covid-19 nos mostrou a importância da saúde e da qualidade de vida dos colaboradores e para as empresas. O impacto de problemas de saúde na produtividade é significativo, tanto para o absenteísmo quanto para o presenteísmo. Temos estudos científicos mostrando essa correlação e que os programas de qualidade vida podem melhorar os indicadores de negócios, como redução de custos e aumento de produtividade”, destacou Kirsten, para quem, mesmo antes da pandemia, as empresas que tinham estratégicas corporativas de saúde já lutavam para enfrentar enormes desafios para a implementação de programas de qualidade vida. 

“As organizações com uma estratégia definida até estavam preparadas e adaptadas aos seus programas e buscaram adequá-los à nova realidade. Embora tenha sido um desafio manter a força de trabalho remota saudável e motivada, o nível de produtividade dos funcionários em home office tem sido maior do que o esperado, resultando em alguns colaboradores não retornando aos escritórios permanentemente. Mas não se deve esquecer dos desafios econômicos. Algumas empresas tiveram que cortar despesas e, em alguns casos, funcionários, cortando ou congelando orçamentos para programas de qualidade de vida”, lamentou o especialista em promoção da saúde global no local de trabalho.

Mas este também é o momento da ascensão de um novo tipo de liderança, na visão de Kirsten, em que humanos são tratados como seres vivos, complexos e não mais meros recursos para as companhias.

“Estamos vendo o retorno das relações empáticas nas empresas. O altruísmo e a relação com o outro voltaram. A ideia é tirar o humano da condição de ser exclusivamente econômico. Empresas que cuidam das diferenças tratam humanos como humanos e esta tendência, que ficou muito clara durante a pandemia, deve permanecer”, observou.

Atenção à saúde mental

O novo cenário provocado pela crise sanitária de saúde pública devido ao novo coronavírus fez surgir também um outro ponto de atenção aos gestores: a saúde mental dos colaboradores e como mantê-la em dia.

O acolhimento e o pertencimento nunca foram pontos tão importantes de união da gestão e da cultura empresarial nos cuidados com os aspectos emocionais e mentais dos trabalhadores, salientou Wolf Kirsten.

Nesse contexto, segundo o especialista, cada indivíduo deve ser visto e entendido como biopsicossocial e o desafio para o líder está em gerir pessoas em diferentes estágios.

“Isso gera um ambiente agradável, sentimento de trabalho em equipe, desperta a humanidade, estimula a capacidade analítica, traz reflexões e tomadas de decisões mais assertivas. Sendo o resultado benéfico para todos”, esclareceu.

A situação dos agravos em saúde mental não é uma situação nova. A cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem divulgando o elevado número de casos de suicídio, pessoas com depressão e estresse generalizado e, por consequência, aumento no número de afastamentos previdenciários e de pessoas impossibilitadas de retornarem aos seus postos de trabalho por doenças mentais.

Dados que estão relacionados ao abuso de drogas – álcool principalmente – e medicamentos de uso controlado. Transtornos do sono também se tornaram mais comum no último ano.

Na visão do codiretor do Global Centre for Healthy Workplaces, as questões de saúde mental no ambiente organizacional são complexas e não se deve pensar nelas e em qualquer doença de forma fragmentada. Devem ser vistas de maneira sistêmica, pois a enfermidades têm múltiplos desencadeantes, e com a saúde mental não é diferente.

Para ele, quando se fala em abarcar em saúde mental, é preciso pensar em diversos aspectos: promoção e prevenção, identificação rápida e recuperação de quadros de agravo mental e inclusão, pois ações pontuais de bem-estar, como mindfulness e ginástica, não são suficientes. 

“São práticas fantásticas, mas que não devem ser aplicadas sozinhas, como solução total. As ações devem focar o sistema de trabalho como um todo, uma liderança acolhedora, um promotor de ambiente do diálogo, de confiança. Quando a gente pensa na estrutura social do trabalho como um todo, os resultados tendem a ser melhores”, afirmou Kirsten ao fim de sua apresentação.

 

 

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