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19º CBQV - Empresas precisam de eficiência em inovação para promover a transformação cultural necessária

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Na nova era das relações de trabalho, é fundamental o compartilhamento de práticas que priorizem o ser humano

Cada vez mais a qualidade de vida no trabalho deixa de ser um diferencial, para ser uma exigência de mercado. As recorrentes mudanças na estrutura do trabalho e a necessidade de ser cada vez mais inovador e competitivo têm obrigado às corporações a pensarem novas maneiras de reduzir custos e manter os profissionais motivados e comprometidos.

“Os caminhos têm sido diversos, enquanto ainda existem empresas apostando nas compensações financeiras, outras vão além, investindo para que o ambiente de trabalho se torne um lugar agradável, descontraído, proporcionando o bem-estar dos  trabalhadores, com o intuito de obter boas condições de criatividade, produtividade, competitividade, satisfação do cliente e, consequentemente, lucratividade”, explicou Gil Giardelli, estudioso de inovação e economia digital, escritor, professor de MBA e da Fundação Dom Cabral (FDC), na conferência “Inovação no mundo volátil – incerto”, que encerrou a parte de palestras e mesas-redondas do 19º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), promovido entre os dias 17 e 20 de maio, pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Para ele, é necessária uma abordagem que considere os valores, as crenças e as concepções por parte dos protagonistas organizacionais, para que os programas de qualidade de vida no trabalho sejam efetivados e, de fato, possam contribuir para a melhora das condições de vida das pessoas.

“Os profissionais e os pesquisadores da área de saúde e bem-estar nas corporações também exercem um importante papel na reflexão sobre as condições de trabalho, principalmente, na construção das propostas de intervenção”, ressaltou Giardelli.

O professor disse que como estudiosos do futuro, devemos ser otimistas racionais e ter a certeza de que o mundo vai para um lugar muito melhor. Ele lembrou que em 1888, por exemplo, existia um grupo de futuristas, chamado de Os Últimos Utópicos, que naquela época já falava de gênero e igualdade de classes. E eles diziam também que se essas questões não fossem resolvidas, chegaríamos a uma época de grande convulsão social, como a que estamos vivendo

E, realmente, o mundo vem mudando e as relações de trabalho jamais serão as mesmas. A pandemia de Covid-19 provocou uma rápida migração do ambiente de trabalho clássico para o digital. Milhares de empresas no mundo tiveram de adaptar processos internos, interação com clientes e modelo de gestão de suas equipes para garantir a continuação das atividades.

Para Giardelli, mesmo após a pandemia muitas dessas mudanças deverão se manter, marcando uma nova era nas relações profissionais.

“Agora, estamos falando de um mundo pós-normal. São tempos que vêm com muito caos, mudanças e que o futuro do trabalho precisará de criatividade, conectividade e será fundamental o compartilhamento de boas práticas”, afirmou o estudioso de inovação.

Em um amanhã imaginado e pós-pandêmico chegaremos, na visão de Giardelli, à era dos três “S” dos estudos do futuro: science, spirituality and society (ciência, espiritualidade e sociedade); e dos inúmeros “C”: cocriação, conexão, ciência da computação, ciência cognitiva, colecionadores de ideias, criatividade, colaborações, conversas, competição e controle.

“A emergência respiratória fez o mundo se enxergar como uma grande aldeia global, um lugar que a velocidade da inovação aumentou dramaticamente. Se antes, homens de capacete foram o coração da classe trabalhadora, agora, são as mulheres de jalecos da indústria da saúde, acompanhadas de pessoas trabalhando de suas casas – pesquisando e analisando o mundo – como cientistas de dados”, observou o especialista.

E quando o assunto é a mudança no comportamento social envolvendo a tecnologia, o estudioso sobre inovação ressalta que a chamada Sociedade 5.0, que coloca o ser humano como foco, trazendo inovações e transformações tecnológicas para o seu bem-estar, além de priorizar políticas que amenizem os impactos ambientais, já é uma realidade. Mas, segundo Giardelli, é preciso eficiência operacional e inovação para capacitar os profissionais para que consigam trabalhar neste novo cenário.

“A base de uma consciência capaz de atuar no meio digital está na agilidade, alta capacidade de adaptação, flexibilidade e descentralização das atividades, o que exige talento, inteligência e habilidade de inovação. Passar para este modelo de trabalho reduzirá os custos das empresas pela metade, além de gerar a longo prazo uma eficiência três vezes maior”, garantiu o professor.

Nesta mudança de era vivemos o início dos conceitos de ESG (Environmental, Social and Governance; em português: ambiental, social e governança), o que significa práticas implementadas pelas empresas para contribuir para a construção de um mundo melhor, com crescimento sustentável, indicando um futuro mais promissor nas esferas dos negócios, em uma era pós-petróleo, em um mundo transnacional digital e transdisciplinar,

“Na era do descontentamento, a humanidade aprendeu que terá de lutar contra a desigualdade, que é a chave para um mundo próspero e igualitário. Ou o mundo será de todos ou não será de ninguém”, alertou Giardelli.

Cada vez mais, os investidores estão priorizando as organizações que contribuem com o futuro do planeta e da humanidade, pois somente os negócios responsáveis terão espaço para crescer na nova realidade mundial.

Para tanto, ele cita uma nova fronteira a ser explorada que é a green inovation (inovação verde), que consiste em usar a tecnologia para se ter boa relação harmônica entre natureza, meio ambiente, trabalho e seres humanos.

“Os países mais felizes, que têm um alto índice de qualidade de vida são os que possuem em suas cidades essa relação harmônica entre a tecnologia, os seres humanos e o meio ambiente. Então a green inovation é o grande desafio dessa nova era”, assegurou Giardelli.

Mais humano

Se a Sociedade 5.0 faz uso de tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial, robôs e reconhecimento facial, para ajudar as pessoas, ela se difere por ser não apenas para ser vigilante ou servir a um grupo pequeno e, sim, por atender o mundo de 7 bilhões de pessoas.

“Nossa obsolescência humana nunca foi tão acelerada em todos os processos. Alguns vão achar ruim, mas vamos criar uma Atenas Digital, em que a gente vai poder ser mais humano e se dedicar mais às pessoas. A primeira Revolução Industrial nos deixou muito afastados e agora estamos voltando à essência da humanidade”, refletiu Gil Giardelli.

Se as pessoas estão no centro de tudo, para ele, é hora de o profissional de RH se apossar dessa nova era. Para isso, não é preciso saber programação, mas ter a noção do quanto ele impacta o negócio e o quanto é fundamental na promoção da qualidade de vida dos colaboradores e para o engajamento desses profissionais.

“Esse novo momento também vai precisar de líderes que, além de enfatizar a produtividade, evidenciem a criatividade, porque esta é a semente da inovação. As empresas que não tiverem a eficiência na inovação enfrentarão muitos problemas. O RH tem a condição de ser esse maestro da transformação cultural nas empresas”, destacou o professor.

E como aplicar a economia circular, do cuidado, a criptoeconomia em um desvio radical dos pensamentos econômicos e instrumentos monetários existentes?

No mundo dos negócios, empresas multinacionais e empreendedores debatem e tentam aplicar os conceitos de corporações 360° (empresas como atores sociais e comerciais, trabalho com propósito, produtos ou serviços socialmente responsáveis e desempenho financeiro aos acionistas). Segundo Giardelli, a aplicação da gestão da inovação, do presente e do futuro em uma sociedade global do conhecimento é o grande questionamento do mundo corporativo.

Para ele, no limiar da economia da inteligência artificial, é preciso debater as implicações morais, políticas, jurídicas e econômicas dos sistemas de decisão de aprendizagem de máquina, algoritmos, dados anônimos e a robotização no trabalho.

“Precisamos criar um mundo que não seja repleto de ilhas da inovação; precisamos de construtores de pontes para um mundo inovador e inclusivo”, afirmou o especialista.

Quando temos este cenário, segundo Giardelli, a bola da vez é o poder da destruição criativa – para reparar um mundo fraturado pela Covid-19, que expôs todas as fissuras no sistema. 

Ele acredita que, dessa forma, teremos um futuro justo e próspero, como resposta ao de desemprego tecnológico, estagnação secular, armadilhas de renda média, mudança climática, extremismos e ruptura social.

“Precisamos – em tempos de inteligência artificial – aprender a apreciar melhor a única inteligência verdadeira que conhecemos: a nossa. Precisamos de pessoas que acreditem que a (r)evolução da Terra se dará pela consciência coletiva”, finalizou Giardelli.

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