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As empresas estão realmente comprometidas com a saúde mental de seus colaboradores?

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As organizações precisam se concentrar neste tema devido seu impacto na retenção de talentos e na produtividade, como ressalta Rita Passos, presidente da ABQV

De acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde, a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença ou de enfermidade. Isso quer dizer que a saúde mental é um componente essencial da saúde integral do indivíduo. Uma pessoa mentalmente saudável conhece suas capacidades, sabe lidar com o estresse comum do dia a dia e trabalha de maneira produtiva e regular, o que contribui para a sua imunidade. Mas será que as empresas estão realmente comprometidas com a saúde mental de seus colaboradores?

Segundo a psicóloga Rita Passos, presidente da ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida, a campanha Janeiro Branco, que chama atenção para o tema, e a promoção da semana de saúde mental são iniciativas muito válidas. Também houve, durante a pandemia, um aumento muito expressivo de benefícios implantados nas empresas sobre o assunto, como: programa de apoio ao empregado, psicologia online, uso de aplicativos e práticas de mindfulness. “Tudo isso deve ser aplaudido, mas ainda não é suficiente, porque um programa integral não é feito de ações isoladas, mas de um trabalho contínuo”, ressalta Rita. 

As empresas precisam pensar: como ajudar as pessoas que estão saudáveis a continuar funcionais e a lidar com os desafios do cotidiano? Como fornecer suporte para a intervenção precoce quando surgem determinados sintomas, problemas ou desafios? Como tratar e auxiliar as pessoas que adoeceram para que recebam tratamento adequado? Como ajudar aquelas que se afastaram, oferecendo suporte para retorno ao trabalho?

“Deve-se pensar em todas essas possibilidades, desde o indivíduo saudável até o adoecido. Além disso, sabemos que os funcionários estão buscando locais de trabalho que sejam sustentáveis e mentalmente saudáveis. Isso exige uma mudança de cultura. Não adianta só apontar que há problemas de saúde mental, é preciso conectar essa realidade com o que é feito dentro das organizações”, acrescenta Rita.

Consequências

Os desafios de saúde mental das pessoas não são isolados. Existem fatores relacionados ao trabalho que afetam negativamente a saúde mental. “A questão do burnout está fervendo, pois entrou no código internacional de doenças. Precisamos entender qual é o efeito maléfico de determinados atos cometidos pelas empresas, que culminam no adoecimento do colaborador. As organizações precisam se concentrar neste assunto, tanto porque é o certo a ser feito, quanto pelo seu impacto enorme na retenção de talentos e na produtividade da companhia”, expõe a presidente da ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida.

O impacto global das doenças mentais em relação à perda de produção econômica será de US$ 16,3 trilhões entre 2011 e 2030, de acordo com um estudo do Fórum Econômico Mundial e da Escola de Saúde Pública de Harvard. Já para a pesquisadora Sara Evans-Lacko, da London School of Economics, o Brasil perde 78 bilhões de dólares com a queda de produtividade causada pela depressão.

A psicóloga Ana Carolina Peuker, diretora de Mercado e Expansão da ABQV, lembra que as consequências secundárias de uma doença mental custam aos empregadores 2 mil dólares por empregado ao ano, isso falando de presenteísmo, absenteísmo e turnover. “Os custos diretos e indiretos de uma doença mental pode chegar a 5% do produto interno bruto de um país. Portanto, mais do que nunca, os gestores precisam se mobilizar para tratar desse tema e começar a fazer o trabalho de conscientização entre os seus colaboradores para instituir ambientes psicologicamente seguros”, salienta Ana Carolina.

Além disso, segundo ela, todas as pessoas que sofrem de algum problema mental e que não são tratadas não desenvolverão todo o seu potencial e, muitas vezes, podem até ser expostas a uma ampla gama de violações dos seus próprios direitos. Enquanto houver estigma, preconceito, mais as pessoas terão dificuldade em buscar ajuda e cada vez menos procurarão auxílio profissional de maneira precoce, o que evitaria afastamentos e aposentaria antes do tempo.

A partir de primeiro de janeiro de 2022, a Síndrome de Burnout passou a ser considerada uma doença ocupacional. Isso quer dizer que quanto mais consciência a respeito dessa temática os gestores tiverem, mais coibirão os problemas decorrentes disso.

Como vencer os desafios

É muito importante que as empresas busquem especialistas no tema para conseguir desenvolver ações pertinentes a cada contexto de trabalho. “Muitas delas consideram que podem implementar alguma solução caseira, mas não dispõem do conhecimento técnico necessário para abordar o tema de maneira correta”, aponta Ana Carolina.

Para a psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, diretora de Certificação na ABQV, as companhias precisam criar políticas que sejam de fato colocadas em prática, estabelecendo os diferentes papéis dos profissionais, criando uma cultura de bem-estar, oferecendo conhecimento, intervenções e tratamentos adequados quando necessário.

“Tudo isso deve ser construído e alinhado dentro do ambiente de trabalho com as lideranças. Lideranças bem treinadas, papéis bem estabelecidos, um ambiente de confiança, com transparência e sem resistências são fundamentais. Bem como preparar as pessoas para perceberem quando precisam de ajuda, contribuindo para que se sintam confortáveis, sem medo de que isso seja usado contra elas mesmas, nos diferentes papéis que exerce. Isso ajudará bastante”, frisa Sâmia.

De acordo com Rita, o despertar dos gestores é um dos grandes desafios. “Eles não estão preparados para lidar com essas questões, não no sentido do tratamento, mas no seu encaminhamento para os recursos pertinentes. Esse é ponto importantíssimo que foi tratado durante a pandemia, mas que ainda merece um desenvolvimento muito grande”, finaliza a presidente da ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida.

 

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