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Organizações devem adotar a cultura em saúde com programas de qualidade de vida para seus colaboradores

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Especialistas da ABQV apontam que cuidado integral e atividade física são fundamentais para o bem-estar dos profissionais

Falar sobre saúde engloba diversas esferas. Muitos acreditam que por não ter nenhuma enfermidade estão bem, mas não necessariamente. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra que a nossa saúde é holística e requer um conjunto de fatores físicos e mentais.

No mundo corporativo o tema também é importante devido um dos fatores que impacta diretamente a saúde das pessoas ser o trabalho. É essencial que as empresas assumam suas responsabilidades em relação ao tema e promovam ações e discussões voltadas ao bem-estar físico e mental.

“A saúde é tema do cotidiano das pessoas a despeito dos enormes desafios que temos na busca de hábitos de vida mais saudáveis. Há muita informação disponível ao alcance de todos e as organizações têm o dever legal de proteger a vida, a saúde dos trabalhadores. Há expressivo arcabouço legal determinando e orientando o cuidado com a saúde dos colaboradores”, explica Eduardo Bahia Santiago, médico cardiologista e vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Na opinião do especialista, as organizações cada vez mais observam seus compromissos com a sociedade. Expresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030 no pacto global da Organização das Nações Unidas (ONU), os princípios de ESG (da sigla em inglês environmental, social and governance, que  corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização) estão sendo implementados pelas empresas que adotam os princípios de cultura em saúde como valor do negócio, requisito fundamental para as organizações líderes.

Para tal feito, pontua Santiago, é preciso:

  • Estabelecer processos de trabalho saudáveis;
  • Observar  saúde como primordial e não só o cuidar da doença;
  • Entendem a saúde como integral, abrangendo todos os aspectos da vida das pessoas que se expressam no trabalho;
  • Estimular e liderar iniciativas e comportamentos saudáveis.

“A pandemia colocou o tema saúde sobre a mesa de todos. O isolamento social e as novas formas de trabalho impostos pela crise sanitária nos fizeram perceber a vida além das rotinas diárias. Tantas perdas nos fizeram perceber o valor da vida, com importância para a felicidade. A saúde e a qualidade de vida passaram a ser requerimentos de todos e que não deixemos perder estas conquistas na volta ao cotidiano pós-pandemia”, aponta o médico.

Atenção às doenças crônicas

Observação pertinente, na visão de Karla Kurtz, médica do Trabalho e diretora de Educação e Conhecimento da ABQV, já que hoje existe uma preocupação maior das pessoas com os cuidados com a saúde. Entretanto, dados recentes da última pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) divulgada em 2020, durante a pandemia, indicam uma piora nos índices de saúde da população brasileira.

Houve aumento no consumo de:

  • Bebidas alcoólicas (um a cada cinco brasileiros ou 20,9% dos entrevistados consumiram quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma mesma ocasião nos últimos 30 dias antes da pesquisa), com maior prevalência entre os jovens, de 18 a 25 anos;
  • Alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas (15,2% dos adultos brasileiros disseram consumir refrigerantes cinco ou mais dias da semana).

Também houve piora no sedentarismo populacional, nos quadros de ansiedade, na qualidade do sono e na taxa de pessoas com doenças crônicas e na obesidade (57,5% da população adulta do país  está com excesso de peso — era 55,7% em 2019 — e 21,5% está obesa — era 19,8% em 2019). 

“A alteração do estilo de vida dos brasileiros foi determinante para o surgimento ou agravamento de hábitos prejudiciais à saúde classificados como fatores de risco. Tais dados demonstram que, a preocupação com o cuidado com a saúde não se materializa em comportamentos promotores de saúde em virtude do estresse causado pela pandemia de Covid-19, as restrições relacionadas à locomoção, o isolamento físico, a demanda excessiva de trabalho no modelo de home office, dentre outras questões”, revela Karla.

Diante deste cenário, aliado à necessidade de adequação aos novos formatos de trabalho,  as empresas têm voltado o seu interesse para os programas de promoção e preservação da saúde dos seus colaboradores.

A necessidade de adoção dos critérios ESG explicitam a preocupação com a sustentabilidade dos negócios e das pessoas, segundo a diretora de Educação e Conhecimento da ABQV, com um olhar mais aprofundado para ao cuidar e a qualidade de vida dos colaboradores.

“Os programas têm se adequado a novos modelos de trabalho utilizando-se da tecnologia para ampliar a adesão e garantir a participação conforme a conveniência do colaborador. Tem sido adotados recursos de telessaúde, que permitem a manutenção de atendimentos individuais e em pequenos grupos, o que tornou possível a realização de consultas médicas, psicológicas e nutricionais até a oferta de serviços continuados como a supervisão de atividades físicas, sessões de psicoterapia e de educação em saúde”, afirma Karla.

Atividade física

O desejo por mais qualidade de vida aumentou na última década e ganhou ainda mais destaque em virtude da pandemia de Covid-19, que trouxe impactos significativos na saúde e no estilo de vida das pessoas.

E a prática regular da atividade física, que teve seu dia mundial celebrado em 6 de abril, traz inúmeros benefícios para a saúde, o bem-esta e a qualidade de vida, como a melhora da:

  • Capacidade aeróbica;
  • Força muscular;
  • Densidade óssea;
  • Equilíbrio;
  • Flexibilidade;
  • Qualidade do sono;
  • Controle da pressão arterial;
  • Quantidade de gordura corporal;
  • Taxas de glicose;
  • Concentração;
  • Memória e aprendizagem;
  • E redução dos níveis de inflamação e dor.

Os benefícios psicológicos incluem a melhora do humor, da autoestima, do bem-estar e a diminuição do cansaço, dos níveis de estresse e ansiedade.

Destacam-se também a melhora do desempenho e da produtividade em todas as esferas da vida, aumento da integração social, senso de cooperação e interação com o meio ambiente. Tais benefícios são ainda mais significativos e relevantes se consideramos o momento atual.

“Atividade Física é um santo remédio para o nosso corpo. Manter o corpo ativo faz você viver mais tempo e mais saudável”, ressalta Osvaldo Stevano, educador física e diretor de Eventos da ABQV.

Ele lembra que as empresas perceberam que quando seus colaboradores ficaram em home office, em um primeiro momento, perderam o controle de cuidar da saúde. Após esta percepção, hoje elas se importam mais em dar a atenção que merece este assunto.

“Muitas organizações retomaram os programas de promoção de saúde focados no bem-estar, pois, perceberam que todos saem ganhando tendo colaboradores mais contentes e dispostos e, por consequência, aumento de produtividade e lucratividade”, destaca Stevano.

Douglas Roque Andrade, educador físico, diretor de Educação e Conhecimento da ABQV e docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, informa que o Brasil possui uma Política Nacional de Promoção da Saúde  (PNPS) desde 2006 e evoca a felicidade, solidariedade, respeito a diversidade, por exemplo, como valores fundantes no processo de efetivação da promoção da saúde e qualidade de vida.

“Mas não adianta ter políticas de bem-estar, programa de ginástica laboral e o clima organizacional ser péssimo na empresa. É importante uma visão sistêmica e sinérgica para garantir um cuidado da saúde de forma integral”, conclui Andrade.

 

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