Dehlicom - 01/08/2022 Banner Principal 168

Organizações devem investir em prevenção, treinamento e inovação para uma cultura de segurança

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Programas de qualidade de vida contribuem para a construção de um ambiente corporativo mais seguro

Garantir a segurança dos colaboradores é uma questão crucial para as organizações. A adoção de medidas de segurança ajuda a reduzir os riscos à integridade física e psicológica de cada membro da equipe, o que traz uma série de benefícios não só para o trabalhador, mas também para a empresa como um todo.

Os programas de saúde e segurança do trabalho podem ajudar no aumento da motivação do time, na diminuição do número de acidentes e, inclusive, na elevação das receitas do negócio. Além disso, os resultados podem ser potencializados e impactarem, de forma positiva, tanto a vida profissional quanto a saúde e o bem-estar fora dos colaboradores fora da empresa.

O médico especialista em Medicina do Trabalho, Geriatria e Gestão de Serviços de Saúde, Leonardo Piovesan Mendonça, que atua como gerente de Saúde Populacional do Hospital Alemão Oswaldo Cruz-SP e é membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), no mês em que é celebrado o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho  (27/7), explica que o Brasil é signatário das normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que  fornecem a base para implementação de sistemas de segurança e saúde ocupacional sólidos, eficazes e sustentáveis em diferentes níveis.

Como o Brasil é um país de dimensões continentais onde coexistem diversos tipos de organizações, o trabalho formal e informal, a complexidade das fiscalizações e diversos processos de trabalho, para Mendonça, ainda há um longo caminho a ser percorrido e esforço por parte do governo, empresas e trabalhadores, para que na prática os sistemas previstos pela normais internacionais sejam de fato implementados.

“O cenário brasileiro não é nada favorável, e é necessário a junção de esforços dos mais diversos entes e da sociedade para a redução sustentável de acidentes, doenças ocupacionais e a legítima promoção de ambientes laborais mais seguros e saudáveis”, ressalta o médico.

Dados da OIT, atualizados pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho brasileiro, desenvolvido e mantido pelo Ministério Público do Trabalho em cooperação com a OIT, mostram que nos últimos dez anos (2012-2021)

  • 22.954 pessoas morreram em acidentes de trabalho no Brasil
  • foram registradas 6,2 milhões de comunicações de acidentes de trabalho (CATs); e
  • o INSS concedeu 2,5 milhões de benefícios previdenciários acidentários, incluindo auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, pensões por morte e auxílios-acidente.

“Os desafios são enormes. Entre os países do G20, o Brasil ocupa a segunda colocação em mortalidade no trabalho, apenas atrás do México, com oito óbitos a cada 100 mil vínculos de emprego entre 2002 e 2020. Os dados mostram o grande vácuo a ser aprimorado e evoluído no que tange a prevenção dos acidentes e reversão da incômoda posição que ocupamos”, alerta Mendonça.

Na opinião do especialista, as empresas devem investir principalmente na prevenção. Prevenir através de:

  • Educação;
  • Qualificação profissional;
  • Treinamento;
  • Inovação;
  • Oferecer e garantir o uso adequado de equipamentos de proteção individual e coletivos;
  • Rever os processos de trabalho que eventualmente contribuam com a ocorrência de doenças e acidentes;
  • Investir em tecnologia, e, acima de tudo,
  • Cumprir as normas regulamentadoras existentes em nossa legislação.

Impactos na qualidade de vida

A abordagem da segurança, saúde e qualidade de vida tem se mostrado cada vez mais emergente e de grande importância na atualidade coorporativa. Muitos administradores já perceberam que melhorar a qualidade de vida e a segurança de seus colaboradores torna a organização mais saudável e competitiva.

Mendonça explica que os impactos da segurança do trabalho reverberam em pilares físicos, econômicos, sociais, psíquicos e laborais para todo o ecossistema da qualidade de vida.

“O trabalho executado em um ambiente inseguro pode implicar em consequências que impactarão direta ou indiretamente na qualidade de vida dos trabalhadores. As consequências vão desde:

  • O adoecimento decorrente de acidente ou doença, com a realização de tratamentos para saúde;
  • A ausência no trabalho (absenteísmo);
  • Sobrecarga de função para os que atuam no mesmo posto e função; até  
  • O afastamento temporário ou definitivo pela previdência social”, aponta o médico.

E é aí que se revela a importância dos programas de qualidade de vida, que podem contribuir principalmente na educação e no estímulo para que os trabalhadores adotem um estilo de vida mais saudável, oferecendo ferramentas para o autocuidado e soluções que engajem a adoção de hábitos promotores de uma vida mais plena e saudável.  Também podem contribuir para a construção de um ambiente corporativo mais seguro e salubre, apoiando as ações voltadas à segurança do trabalho e à saúde ocupacional.

Um dos pilares dos programas de qualidade de vida, segundo Mendonça, é a promoção a saúde e bem-estar. Essas ações devem considerar os determinantes sociais da saúde e de que maneira esses causam impacto na qualidade de vida da população. Os determinantes sociais são fatores

  • Sociais;
  • Econômicos;
  • Culturais;
  • Étnico-raciais;
  • Psicológicos;
  • Comportamentais;  e
  • Ambientais que influenciam o processo saúde-doença.

Algumas iniciativas, como o Total Worker Health (TWH), do Centers of Disease Control and Prevention (CDC), baseia-se por meio do reconhecimento de que o trabalho é um determinante social da saúde.

“Fatores relacionados ao trabalho, como salários, horas de trabalho, carga de trabalho, interações com colegas de trabalho e supervisores e acesso à licença remunerada, afetam o bem-estar dos trabalhadores, suas famílias e suas comunidades. Este reconhecimento é de suma importância para que as ações organizacionais e programas de promoção a saúde atuem sobre o trabalho e suas vertentes”, garante Mendonça.

Ele finaliza destacando que a segurança do trabalhador envolve uma série de compromissos:

  • Envolvimento da liderança com a segurança e saúde do trabalhador em todos os níveis da organização;
  • Conhecimento e identificação de todos os riscos ocupacionais e a projeção do trabalho para eliminar ou reduzir estes riscos;
  • Promoção do bem-estar do trabalhador:
  • Integração de sistemas relevantes para promover o bem-estar; e, acima de tudo,
  • Investimento na cultura de segurança com treinamento, educação permanente e inovação.

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