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Não existe organização sustentável com trabalhador em sofrimento psíquico

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Conferencista do 20º CBQV, Carla Furtado explica que é preciso discutir com urgência a felicidade e o bem-estar de quem trabalha

Antes da pandemia, a população brasileira já estava entre as mais deprimidas do mundo, com 5,8% das pessoas afetadas pela doença que mais incapacita para o trabalho, contra 4,4% nos demais países. O Brasil lidera também o ranking dos transtornos de ansiedade, com 9,3% dos brasileiros acometidos. Em 2018, a depressão era a segunda causa de pagamento de auxílio-doença no país (30,67%), depois dos acidentes de trabalho. Em 2020, esse percentual cresceu cerca de 20%.

“A depressão já a doença mais incapacitante para o trabalhador no Brasil e no mundo. Mas ainda muitas empresas limitam-se a perguntar quanto custa investir no bem-estar dos colaboradores. Eu costumo responder com outra questão: quanto custará não investir?”, indaga Carla Furtado, mestre e doutoranda em Psicologia e especialista em Neurociência e Comportamento, que fará a conferência “Felicidade na Era da Complexidade”, na manhã do segundo dia do 20º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), entre os dias 4 e 5 de outubro, em formato híbrido, no Instituto de Ensino e Pesquisa Sírio-Libanês, em São Paulo.  

Para ela, “os custos da infelicidade profissional estão escancarados. Só nos Estados Unidos, o prejuízo gerado pelo estresse da atividade laboral corresponde a US$ 300 bilhões/ano. As estimativas apontam que em 2030, o preço  do sofrimento no trabalho deverá alcançar a marca de US$ 6 trilhões em todo o mundo, mais do que o dobro do registrado em 2010”.

Por causa de projeções como esta, Carla, autora do livro “Feliciência: Trabalho e Felicidade na Era da Complexidade”, explica que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a Felicidade Interna Bruta (denominada FIB), o novo paradigma de desenvolvimento socioeconômico, ou seja, a proposta de um índice de desenvolvimento que considere não só o PIB, mas também o meio ambiente e bem-estar social.

“A questão é não mais falar de felicidade no trabalho, mas da felicidade de quem trabalha. O bem-estar de quem trabalha é estratégico, indispensável para a sustentabilidade das organizações. Precisa integrar à pauta das reuniões, estar no escopo da gestão de riscos, produzir indicadores consistentes para uma tomada de decisão responsável", destaca a psicóloga.

No 20º CBQV, Carla adianta que a felicidade será uma temática importante, mas a era da complexidade é o que mais precisa ser entendido. Não é complicado, mas é:

·      Interconectado;

·      Imprevisível; e

·      Não linear.

“A Teoria da Complexidade nos convida a entender não haver uma resposta simples para desafios complexos. Não temos  uma equação ou uma receita mágica para que as pessoas se sintam bem, tenham saúde e até estejam felizes nas suas relações de trabalho e com a sua ocupação profissional. Existem inúmeras variáveis e precisamos compreendê-las”, explica a psicóloga.

Ela ressalta que é imprescindível compreender o nosso tempo, o recorte sócio-histórico que se vive e que não para de se transformar. E é preciso aprender a surfar a era da complexidade, onde, às vezes, uma variável pode alterar o sistema completamente e entender que precisamos  de um processo de adaptação contínuo e que não há formas simples de fomentar o bem-estar de quem trabalha.

“A escalada de transtornos mentais existe há pelo menos 20 anos; há um aumento de 100% no números de suicídios. Sabemos que estamos numa velocidade ou em um movimento exponencial de sofrimento e adoecimentos psíquico. Vou apresentar no evento dados da minha pesquisa na Universidade Católica de Brasília, que verifica o neoliberalismo, os transtornos mentais  e comportamentais no trabalhador. Segunda a Organização Mundial da Saúde, durante a pandemia, tivemos um incremento de 25% na incidência nos diagnósticos de depressão e de transtornos mentais e comportamentais Estamos adoecendo, mas em maior velocidade e intensidade”, alerta Carla.

A psicóloga finaliza dizendo que as empresas precisam estar atentas às questões de saúde mental e cuidar dos transtornos emocionais de seus colaboradores, não somente por uma questão de ética, mas pela sustentabilidade humana dentro das organizações, que integra o pilar de sustentabilidade social da agenda ESG (critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa).

“Não existe organização sustentável com uma força de trabalho em sofrimento psíquico”, afirma Carla.

Confira a programação do 20º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida no site do evento, e faça sua inscrição. Descontos especiais para associados ABQV.

 

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