
Encontro ABQV reúne profissionais para debater novos caminhos de enfrentamento à obesidade
30 de abril de 2026O debate sobre o futuro do trabalho costuma oscilar entre extremos. De um lado, visões apocalípticas sobre a substituição de humanos por máquinas; de outro, narrativas excessivamente otimistas sobre a automatização total de tarefas entediantes. A realidade, como de costume, mostra-se mais complexa.
O que se desenha diante de nós não é um cenário de substituição em massa, mas de profunda transformação. O avanço da tecnologia está, simultaneamente, criando novas ferramentas e exigindo que empresas e profissionais se adaptem a uma lógica em que inovação e cuidado com as pessoas são faces da mesma moeda.
Ou seja: não cabe um cenário em que se escolhe entre eficiência e bem-estar. Trata-se de compreender que, no ambiente profissional contemporâneo, uma não existe sem a outra.
Quais fatores estão mudando o mundo do trabalho atualmente?
Diversas forças atuam lado a lado para remodelar o ambiente profissional. A principal delas é, sem dúvida, a aceleração tecnológica.
A IA generativa (conhecida sobretudo por ferramentas como o ChatGPT e o Gemini, entre outras) e recursos similares estão automatizando não apenas tarefas repetitivas, mas também funções complexas, como análise de dados, criação de conteúdo e até tomada de decisões supervisionadas.
Ao mesmo tempo, um relatório de 2026 do Fundo Monetário Internacional aponta que 40% dos postos de trabalho estão expostos à IA, fazendo com que eles possam diminuir ou desaparecer nos próximos anos.
Com isso, não é possível negligenciar a necessidade de evolução das próprias organizações. Empresas que antes funcionavam em estruturas rígidas e hierárquicas estão sendo forçadas a adotar modelos mais ágeis, colaborativos e orientados por dados.
Isso cria novas funções ao mesmo tempo em que torna obsoletas aquelas baseadas exclusivamente em tarefas repetitivas ou em diferenciais de qualificação e qualidade nas entregas.
Quais os impactos de novas tecnologias na produtividade e na inovação?
A integração de novas tecnologias está gerando impactos mensuráveis em diferentes setores. A consultoria PwC, em seu AI Jobs Barometer, descobriu que trabalhadores com habilidades em IA obtêm, em média, rendimentos 56% maiores do que aqueles sem tal diferencial.
Além disso, o mesmo estudo sustenta que, entre os trabalhadores entrevistados que utilizam ferramentas do tipo:
- 92% notaram um aumento de produtividade;
- 90% se mostraram capazes de entregar um trabalho com mais qualidade;
- 85% disseram se sentir mais criativos com o auxílio da tecnologia.
Esses dados são fundamentais para demonstrar que a tecnologia não torna as pessoas descartáveis e sim mais valiosas.
Contudo, a adoção ainda é desigual. Apenas 14% dos funcionários usam ferramentas de IA generativa diariamente. Entre trabalhadores manuais, esse número cai para 5%. Por fim, menos de 6% do total da força de trabalho utilizam agentes de IA, que são capazes de agir de forma autônoma (algo visto como o próximo passo para esse tipo de tecnologia).
Isso revela uma enorme oportunidade, mas também um risco. Organizações que não investirem em capacitação e em uma cultura de experimentação segura correm o risco de ficar para trás.
A inovação não vem apenas da tecnologia em si, mas da capacidade das organizações de integrá-la ao trabalho de forma significativa, permitindo que os colaboradores se concentrem em atividades de maior valor estratégico, como criatividade, resolução complexa de problemas e relacionamento interpessoal.
Leia também: Como a produtividade tóxica é capaz de afetar o bem-estar como um todo
Por que a qualidade de vida no trabalho é um tema que não vai sair de pauta?
A resposta é simples: porque ela se tornou um diferencial competitivo central. Em um mercado de trabalho cada vez mais transparente e com alta rotatividade, reter talentos exige mais do que um contracheque competitivo. A qualidade de vida é um fator determinante na atração e retenção de profissionais.
Um levantamento da EDC Group indica que 69% dos profissionais buscam um emprego estável e de longo prazo, mas a flexibilidade de horário é desejada por 54% e oferecida por apenas 32% das empresas.
Além disso, ao comparar duas ofertas de mesmo salário, 29% dos profissionais escolhem aquela que oferece melhor qualidade de vida, um critério que supera plano de carreira (16,8%) e trabalho 100% remoto (14,5%). Bônus financeiros aparecem como o fator menos relevante nesse desempate, com apenas 2,9% das preferências.
O novo escopo das Normas Regulamentadoras do trabalho reforça também que ambientes de trabalho tóxicos, jornadas excessivas e falta de reconhecimento são fatores de risco tão graves quanto a ausência de equipamentos de proteção individual.
Por isso, organizações que tratam o bem-estar como um investimento, e não como um custo, observam equipes mais motivadas, criativas e resilientes. Isso se reflete em indicadores concretos: menor absenteísmo, menor rotatividade, maior engajamento e, por consequência, melhores resultados financeiros e o pleno atendimento às obrigações legais.
Em resumo, o futuro do trabalho estará, sobretudo, na noção permanente de que devemos cuidar uns dos outros. Isso significa criar ambientes psicologicamente seguros, onde o erro é visto como oportunidade de aprendizado, as lideranças exercem a escuta ativa e o ritmo de trabalho não leva ao adoecimento.
Aproveite e confira agora qual é a importância estratégica da felicidade corporativa e do bem-estar das equipes.
Referências
Salário vs. Qualidade de Vida: O Que as Novas Gerações Priorizam?
https://www.pluxee.com.br/blog/salario-vs-qualidade-de-vida-o-que-as-novas-geracoes-priorizam/
New Skills and AI Are Reshaping the Future of Work
https://www.imf.org/en/blogs/articles/2026/01/14/new-skills-and-ai-are-reshaping-the-future-of-work
The Fearless Future: 2025 Global AI Jobs Barometer
https://www.pwc.com/gx/en/issues/artificial-intelligence/job-barometer/2025/report.pdf
Qualidade de vida é o principal fator de desempate entre vagas para 29% dos profissionais, aponta EDC Group
O futuro do trabalho está em cuidarmos uns dos outros
https://ihu.unisinos.br/78-noticias/594305-o-futuro-do-trabalho-esta-em-cuidarmos-uns-dos-outros





