
Gestão e liderança humanizada: como líderes conscientes podem fortalecer o bem-estar no trabalho
19 de novembro de 2025Mesmo com as obrigações legais estabelecidas, o etarismo continua a se fazer presente no mercado de trabalho, com reflexos graves tanto para indivíduos quanto para as organizações.
No entanto, a construção de ambientes corporativos mais justos e saudáveis passa, necessariamente, pelo acolhimento de pessoas de todas as idades nas empresas.
Valorizar a diversidade etária não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas sim uma estratégia inteligente para fortalecer equipes, prevenir a perda de talentos e ampliar a capacidade de inovação.
O que é o etarismo e como ele se manifesta nas empresas?
De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde, o etarismo (ou idadismo) é o “conjunto de estereótipos, preconceitos e discriminação direcionados às pessoas com base na idade”.
A partir disso, tal comportamento pode atuar em três âmbitos:
- institucional, em que leis, regras, normas sociais, políticas e práticas institucionais restringem oportunidades e prejudicam sistematicamente indivíduos em função da idade;
- interpessoal, quando o etarismo aparece em interações entre dois ou mais indivíduos;
- autodirigido, quando ele é internalizado pela pessoa e usado contra ela mesma.
Ou seja, ao contrário do que muita gente imagina, o etarismo frequentemente se manifesta de formas sutis, indo além das recusas explícitas em processos seletivos e da ausência de promoções para pessoas mais velhas.
Ele se consolida também pela falta de reconhecimento das contribuições dos indivíduos mais velhos e de comentários que desvalorizam a sua presença nos espaços corporativos.
Dessa forma, as organizações podem perpetuar tal prática tanto em políticas formais quanto por meio de uma cultura organizacional que naturaliza preconceitos relacionados à idade. Isso inclui crenças como a de que profissionais mais velhos são menos adaptáveis à tecnologia ou que não acompanham o ritmo das mudanças do mercado.
No fim, o etarismo nas empresas acentua tratamentos desiguais com base em estereótipos sobre idade, desconsiderando capacidades individuais, experiências acumuladas e o valor que cada profissional pode agregar aos resultados.
Para conter tal tipo de questão, a legislação brasileira estabelece proteções no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), no qual há a determinação de que discriminar uma pessoa idosa, incluindo no acesso a oportunidades de trabalho, pode resultar em punições inclusive do ponto de vista penal.
Quais os impactos do etarismo do ponto de vista individual e coletivo?
O combate ao etarismo nas empresas se torna ainda mais relevante quando se considera a participação cada vez mais significativa dos idosos no mercado de trabalho.
Conforme o Censo de 2022, o Brasil reúne mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15% da população. Em relação a 2010, houve um crescimento de 56%.
Ao mesmo tempo, um levantamento da Fundação Getúlio Vargas aponta que a participação desses indivíduos no mercado de trabalho aumentou 69% entre 2012 e 2024. Atualmente, são mais de 6,9 milhões de pessoas com mais de 60 anos exercendo atividade remunerada.
Com tudo isso, é preciso observar como a discriminação por idade tem o potencial de gerar sentimentos de desvalorização e inadequação. Muitas vezes, tais perspectivas estão no cerne de diversas queixas de saúde física e mental.
O relatório da OMS sobre o tema aponta que uma revisão com 16 estudos mostrou como a discriminação por idade está associada a um maior risco de quadros depressivos.
Além disso, o preconceito também parece contribuir para a aceleração do declínio cognitivo. Nesse contexto, a entidade destaca que algumas investigações sobre o tema sustentam essa relação. Portanto, há uma possível conexão entre a exposição a estereótipos negativos e a queda na capacidade de memória e raciocínio.
Coletivamente, o etarismo nas empresas empobrece a diversidade das equipes e limita a capacidade de inovação das organizações. Quando as empresas privilegiam apenas determinadas faixas etárias, elas perdem a oportunidade de contar com variadas perspectivas, experiências e habilidades que profissionais de diferentes gerações podem oferecer.
Leia também: O papel de ações de diversidade e inclusão no bem-estar corporativo
Que tipo de política pode contribuir para ambientes de trabalho livres do etarismo?
Promover ambientes livres do etarismo exige ações práticas que considerem necessidades individuais e objetivos organizacionais. Para isso, algumas iniciativas fundamentais incluem:
- implementar políticas de recrutamento inclusivo, revisando anúncios de vagas para eliminar requisitos desnecessários, com processos seletivos que avaliem exclusivamente as competências de cada candidato;
- investir em programas de mentorias, criando oportunidades para que profissionais mais experientes compartilhem conhecimentos com os mais jovens e vice-versa;
- garantir oportunidades de desenvolvimento contínuo, oferecendo treinamentos e programas de requalificação para colaboradores de todas as faixas etárias;
- promover a conscientização sobre o tema, realizando campanhas educativas, workshops e sensibilizações que ajudem a desconstruir estereótipos relacionados à idade;
- capacitar lideranças sobre gestão inclusiva, preparando gestores para reconhecer e valorizar as contribuições de profissionais de diferentes idades, evitando vieses inconscientes em avaliações e promoções;
- adequar políticas de carreira às diferentes necessidades, considerando arranjos flexíveis de trabalho, programas de transição para aposentadoria e modelos de atuação que permitam aproveitar a experiência de profissionais mais velhos;
- monitorar continuamente indicadores de diversidade etária por meio de métricas claras de composição das equipes, taxas de contratação e retenção por faixa etária;
- manter abertos canais de comunicação para que colaboradores relatem situações de discriminação.
Em resumo, ações de combate ao etarismo nas empresas são indispensáveis para construir ambientes profissionais verdadeiramente diversos, saudáveis e que estimulem todo o potencial humano disponível, gerando melhores resultados para todos.
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Referências
Relatório mundial sobre o idadismo
https://iris.paho.org/handle/10665.2/55872
Desafiando o etarismo: como a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho
Etarismo: como combater a discriminação por idade no trabalho?
https://www.gupy.io/blog/etarismo
Entenda como o etarismo contribui para a exclusão de pessoas idosas do mercado de trabalho formal
Participação de idosos no mercado de trabalho cresce 69% em 12 anos no Brasil, revela pesquisa
Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos





