
Text neck: entenda como a síndrome do pescoço de texto afeta o bem-estar dentro e fora do trabalho
14 de janeiro de 2026Se antes termos como burnout e quiet quitting dominavam as discussões sobre saúde ocupacional, um fenômeno ainda mais sutil e preocupante vem recebendo cada vez mais destaque: o quiet cracking (ou rachadura silenciosa, em tradução livre).
Apesar de silencioso, ele enfraquece lentamente a relação entre o colaborador e seu trabalho, gerando consequências profundas para indivíduos e organizações. Por isso, exige atenção urgente das lideranças e dos profissionais de recursos humanos.
Entenda o que é o quiet cracking
O quiet cracking pode ser compreendido como uma desconexão gradual e lenta no laço que vincula o colaborador ao ambiente de trabalho e aos objetivos e metas.
Mesmo permanecendo no emprego e cumprindo as obrigações, o profissional afetado experimenta um sentimento persistente de infelicidade que aos poucos leva ao desengajamento, à queda no desempenho e à perda do senso de pertencimento.
Não se sabe ao certo a origem do termo, mas é possível apontar que ele ganhou força ao longo de 2025 devido ao contexto atual do mercado de trabalho.
Entre os fatores que contribuem para o seu surgimento estão as expectativas crescentes em torno do que se espera de um emprego, o aumento nas demandas profissionais e a falta de reconhecimento dentro do cargo ocupado.
Diferenças entre quiet cracking, burnout e quiet quitting
Embora frequentemente comparados, esses três fenômenos têm características distintivas. O burnout caracteriza-se principalmente pela exaustão física e emocional extrema, resultante de exposição prolongada a altos níveis de estresse.
É geralmente mais evidente, manifestando-se por meio de sintomas claros como fadiga intensa, esgotamento e incapacidade de manter o ritmo de trabalho.
Também é uma síndrome ocupacional reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019 e oficialmente catalogada na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), aparecendo cada vez mais como causa de afastamento do trabalho.
O quiet quitting, por sua vez, representa uma decisão deliberada de fazer apenas o mínimo necessário. O colaborador estabelece limites claros e conscientemente se recusa a ir além do que está em suas responsabilidades. É uma forma de desengajamento frequentemente intencional e perceptível.
Já o quiet cracking é um termo recente associado às transformações no mundo do trabalho contemporâneo e pode passar despercebido por longos períodos. Entre os sinais de alerta mais comuns estão:
- mudanças sutis no comportamento e desempenho, com menos dedicação às tarefas do dia a dia ou maior número de erros;
- distanciamento emocional progressivo, com queda na participação em projetos coletivos e no entusiasmo;
- sensação de não ser ouvido, valorizado ou ter suas preocupações atendidas;
- insegurança sobre o futuro profissional, gerando ansiedade sobre perspectivas de crescimento e desenvolvimento.
Procurar identificar o quiet cracking precocemente é fundamental para prevenir consequências mais graves.
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Impactos do quiet cracking
Os impactos do quiet cracking vão muito além da esfera individual, gerando repercussões significativas para as organizações e para a economia toda, incluindo:
- queda de produtividade por conta da redução do desempenho, com diminuição na qualidade e na quantidade do trabalho entregue;
- aumento da rotatividade, pois esses indivíduos estão mais propensos a buscar novas oportunidades de emprego, mesmo que não manifestem isso abertamente;
- prejuízos na saúde mental, uma vez que o quiet cracking pode ser um primeiro estágio para quadros de depressão, ansiedade ou mesmo burnout;
- danos à cultura organizacional, podendo gerar repercussão de experiências negativas capazes de comprometer a capacidade de atração e retenção de talentos.
Desse modo, abordar a questão é de extrema importância para que líderes e profissionais de gestão de pessoas possam planejar estratégias para combatê-la.
Como líderes podem identificar e reverter esse fenômeno
Combater o quiet cracking exige uma abordagem proativa por parte das lideranças, em conjunto sempre com os profissionais da área de recursos humanos. Algumas das medidas mais pertinentes incluem:
- investir em desenvolvimento contínuo para despertar novos interesses e habilidades entre os colaboradores;
- promover diálogos abertos e regulares, construindo espaços seguros para que preocupações sejam expressas livremente;
- reconhecer e valorizar contribuições, destacando as conquistas de cada colaborador frente às metas propostas;
- capacitar gestores para identificar mudanças sutis em comportamento, humor e desempenho;
- oferecer novas oportunidades e desafios, sobretudo diante de sinais de desengajamento.
Espaços de trabalho que reconhecem a existência do quiet cracking e implementam medidas preventivas consistentes protegem seus colaboradores e ainda constroem culturas mais saudáveis, incorporando essa missão de modo efetivo em seus valores.
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Referências
Quiet Cracking: Como Fenômeno Silencioso Prejudica a Produtividade e o Engajamento
Quiet cracking: a desconexão do profissional que coloca empresas em risco
‘Quiet cracking’ is spreading in offices: Half of workers are at breaking point, and it’s costing companies $438 billion in productivity loss
Assunto do momento: o que é (e por que preocupa) o quiet cracking?
https://rhpravoce.com.br/redacao/o-que-e-e-por-que-preocupa-o-quiet-cracking
Quiet Cracking: ameaça invisível nas empresas
https://rhportal.com.br/noticias/gestao-de-pessoas/quiet-cracking





